domingo, 18 de março de 2012

Conversas 18/03/2012

Depois de um, em princípio meio malemolente, mas no final agradável e feliz, dia de trabalho, ofereço, como gentil camarada que sou, uma carona para meu amigo e meu semelhante Joli - as pessoas o chamam de Dom Joli - algumas apenas. Entramos no carro e antes mesmo que lhe perguntasse, ele já me trouxe a resposta - um beck. Vejam o motivo pelo qual lhe ofereci carona... Fomos conversando coisas mornas - se comparadas às seguintes - até que uma espécie de madeira lascada enganchou no assoalho do carro, como um lança belicamente preparada por um samurai. Então a conversa ganhara outros ares.

Faremos a verdade. Se algum filho da puta nos vier perguntar o que propriamente fazemos, que estilo, que gênero, que porra, no teatro, diremos Faremos a Verdade. É sobre tudo. Tudo que vivemos contemporaneamente na sociedade e da consequência da sociedade, da civilização, das culturas, da Matrix, do Sistema... É sobre isso, porra.

As redes sociais, talvez, tenham uma grande participação nisso. Agora as pessoas estão ficando mais sabidas, mais detentoras e proprietárias dos conhecimentos, eu diria. Ainda que a isso não busquem, já que até o que você não deveria saber, acaba sabendo por causa do fecebook (pois é, minha ex deve estar rindo de mim por causa daquele post melancólico...) You Tube mostrando livremente opiniões que nem na puta que o pariu seriam mostradas na TV, que é uma das maiores armas Deles, ou pelo menos era. É hora desses putos trancarem o cu e temerem, por exemplo, um sequestro... não, sequestro é sacanagem... um estupro da filhinha deles por um negão bem pirocudo em troca de algumas exigências que incluem, no mínimo, o cumprimento (ou comprimento não sei como escreve essa porra) dos nossos direitos previsto na Constituição; e a longo prazo: em troca de "ninguém precisar pagar nada para ninguém e ninguém precisar arrebanhar as almas de ninguém" - a Matrix não precisará ser construída, caralho! E coisas do tipo.

Falemos disso no teatro, ou o teatro disso. Só há um tema a ser tratado, o que vai mudar serão as formas que receberão esse tema. Daí, então, será original. Inovador e a porra toda. Será o seu jeito de se fazer bem, só você sabe como é. Subiremos no palco para sentir vontade de ter algo foda a dizer. Assumindo riscos, é claro, de dizer coisas perigosas para Alguns, o risco de ser processado pelas diversas instituições estabelecidas - não criadas - pelo Sistema. Mas afinal qual o nosso papel, caralho? Digo, enquanto artistas? E certamente nada mudará, mas tem quem pague para ver o oco.

Chegamos a lembrar com muita empolgação e com lágrimas nos olhos alguns trabalhos que nos fizeram isso, ou parecido. Dom Joli citou "Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo" e um documentário que não me lembro precisamente agora... "Aqui que estamos por vós esperamos", acho... Eu disse "In on It". Ele compreendeu, ainda que não tivesse visto a peça, quando disse que chorei quando assisti.

Diremos esse tipo de verdade, algo que nos cause algo ainda mais que risadas passageiras. Queremos algo de durável e talvez, até, eterno nos corações do público dessa contemporaneidade. Não só falaremos o que todos, ainda que não sabem, estão sequiosos por saberem, como nos faremos compreendidos. Sem viajar tipo UnB e essas porra do tipo. Por isto será durável e talvez eterno, pois será um ponto a mais em nossas vidas - e não apenas algo que repetimos, devido à moda, para, também, ganharmos dinheiro, herdeiros de uma Culpa que foi da Mãe. (sacou?)

O que me ocorre: Um velho bem fudido, beirando o túmulo, falando para um mancebo rosado sobre a "Matrix". O que eles escondem de nós; porquê. O que vai acontecer no futuro quando toda internet, meio que por enquanto distribuidora Ltda de opiniões, ficará severamente fiscalizada por Eles; e isso foi ficando cômodo desde quando os blogs começaram a pagar para o ECADE cada link do you tube postado. E é um velho que fala; ele vê isso acontecer desde muitos e muitos anos; desde as primeiras pentadas violentas em seu cu, as quais ele não viu, ou viu e não resistiu, deixando-as entrar pelo menos com camisinha. Fala também de George Clooney que foi preso com seu pai decrépito em um protesto contra a ditadura assassina que atualmente rola na Líbia e as consequências que isso gera (Confere, Dom?) Fala de por que escrever"Deus" com letra maiúscula quando está se referindo ao deus mais rico que é dono, até, de um país. Fala também que existem pessoas dormindo nas ruas e, porra, ninguém está fazendo nada para mudar isso; nos acostumamos, como as encarcadas. E só tenderemos a nos acostumar com coisas piores - se nada for feito... V... Fala também que Eles nos prometeram cuidados, prometeram cuidar de nós quando não mais poderemos trabalhar para Eles. Mas porra nenhuma! Prometeram essa merda em troca de uma vida de escravidão suavizada. E o que é pior, Eles nos fizeram dependentes dos Seus cuidados. E ele também fala de que a sua mãe, aquela burra, acreditava, sem flexibilidade, que a avó dele não morreria, ou não queria acreditar; sendo que aquele véia já estava com quase 104 anos. Fala também que viveu de perto o processo que sua vó, antes de morrer, passou até desaprender a sorrir, depois que as visitas dela ao hospital começaram a ser frequentes, como se estivesse preparando-se para morrer.

Depois disso, o velho recebe um chute categórico no cu, desferido pelo mancebo. Black out lentamente...

Na parte da atuação, é como se o ator tivesse a necessidade de apresentar aquela peça; como se sua interpretação, sua arte, o que ele dirá, tiver necessidade de existir. Porque se não ele achará gratuito, bobo. Não sentirá necessidade de fazer graça, ou fazer bonito, ou ser foda. Será engraçado naturalmente. Será simplesmente ele. Verdadeiro e nada mais. Para ele o riso será também o trágico.

Ocorre-me: uma espécie de palestra em que vídeos, no telão, a guie. Uma espécie de palestra... Meio que um futuro presidente dos EUA combinando novas estratégias de se manter no poder, ideologicamente e financeiramente. Aí ele explica estratégias passadas de como conseguiu escravizar as pessoas, ideologicamente e financeiramente; e como, a partir de então, no futuro, conseguirá, já que muitas mentes estão sendo desconectadas da matrix. E como o espectador olhará essa encenação, ideologicamente e financeiramente. Tipo isso...

Ocorre também: um cara do futuro com roupas modernas, um jeito de falar estranho, zombando violentamente, e com razão, dos hábitos que adotamos hoje. Tipo "a futilidade de como eles deformavam seus corpos, de todas as maneiras possíveis, mesmo que não quisessem, só para estarem dentro do que o sistema julgou, e claro que com base nos critérios idiossincráticos, certo para o momento." E de outras coisas mais. Ele zomba de como acreditávamos em um Deus. E de como certas Pessoas faziam para arrebanhar outras... E no final ele conta o seu presente; a evolução dos mais fortes, daqueles que sobreviveram depois de uma guerra civil causada por algumas instituições que foram ditas, por Eles, de terroristas; mas só por Eles e mais ninguém.

Ocorre: (e dessa vez acho que poderemos encontrar uma originalidade) Não deveria ter personagem. Não deveria ter historinhas. Nem porra nenhuma. E que os atores ou ator diria o que tem a dizer ele mesmo, com o que ele tem de melhor. Sendo ele mesmo. Uma interação violentíssima com a plateia. Criar uma intimidade foda com nego que você nem conhece, porque você vai estar falando sua verdade para ele, se abrindo; fazendo, assim, com que ele, espectador, também se abra para se criar um puta diálogo.

Falemos o que tem de ser dito e nada mais. Falemos sobre a verdade e com verdade. Se não formos nós, será um outro filho da puta.

O que também diz respeito a tudo isso. Por favor veja:

http://www.youtube.com/watch?v=F6fl5fq6qLs&feature=fvwrel

http://www.youtube.com/watch?v=_IdV7FI8_sw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=HTF9uqmLs3k&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=UueCjRrQLM4&ob=av2n

http://www.youtube.com/watch?v=0nSzFklhJzg