sábado, 30 de junho de 2012

em um banco de Igreja anexado à uma conta

TU QUE ME LES, POR OBSÉQUIO, COMPREENDA. QUERO, ENFIM, TER UMA COSTATAÇÃO DA FÉ POR MEIO DESTE ATO QUE ACREDITO QUE PODES ME AJUDAR. ARREPENDI-ME DOS FINAIS NOS QUAIS SEMPRE ME ENCONTRO NO FINAL DAS NOITES DE AGITO, DE CURTIÇÃO, DE PEGAÇÃO... ARRPENDI-ME DE LEVAR UMA VIDA CHEIO DE SORRISOS VAZIOS E DE COMPANHIAS QUE SOMENTE VÊEM ESSES SORRISOS E NÃO A TRISTEZA, A SOLIDÃO. GOSTARIA MUITO DE RECOMEÇAR; E O QUE ME FALTA, DENTRE AS MAIS PESAROSAS MAZELAS DO RECOMEÇO, É QUE ESTA DÍVIDA SEJA PAGA. PROVANDO-ME ASSIM A GLÓRIA E AS IMPOSSÍBILIDADES FEITAS POSSÍVEIS QUE A FÉ PODE FAZER. ACREDITO QUE ASSIM MEU RECOMEÇO POSSA SER MAIS SIGNIFICATIVO, TENDO EM VISTA QUE, SE SANADA A DÍVIDA, ESTAREI DE FATO ABENÇOADO POR DEUS. GRATO...

terça-feira, 12 de junho de 2012

DAS EXPECTATIVAS

Nego diz por aí que nego confunde de mais os sentimentos. É... talvez seja verdade,né? Muitas vezes tem disso mesmo, de você supor-se apaixonado por repetir pequenos gestos que geralmente só os apaixonados fazem, quando na verdade você apenas gosta; e aí você repete tais gestos talvez por sentir falta de se sentir apaixonado – porque querendo ou não é um sentimento bom - ; ou talvez por se sentir carente e precisar deles, dos gestos, para sanar, por uma noite que seja, essa saudade que a pele tem de outra pele. E que porra de gestos são esses? Ah! Sei lá! Tipo, deslisar devagar sua face em uma outra face aproveitando, enquanto durar esse gesto, para sentir o perfume, o calor, a dosagem das intensidades em que as faces se tocam... sentir através dos lábios as características da outra boca... Pô, eu acho que isso são gestos que, geralmente, só os apaixonados fazem. Mais tem uma parada aí! São gestos que não existem apenas em duas pessoas apaixonadas – definitivamente não!; ou que são feitos apenas como um pretexto para uma trepada digna de duas pessoas apaixonadas – Não! Esses gestos, esses simples gestos – não sei por que os chamei de “gestos” – eles representam a pura verdade de uma pessoa! E aí que ta a parada! Se você tiver coragem de olhar para trás e me dizer que foi feliz até então, dito no que diz respeito ao... (gesto de fudelância), certamente você vai me dizer também que um dos melhores beijos que você já provou foram aqueles bem peculiares...; aqueles que a princípio você, talvez, até estranhe pela audácia, pela liberdade e pela sinceridade que a outra boca te beija... mas que no fim das contas você gosta; e muito! É a verdade, entende? Mostrar sua verdade para uma pessoa é ter muita coragem; certamente que é. Agora... fato é que vivemos com muitas máscaras; e quando as retiramos, com muita dificuldade é claro, e nos apresentamos com esses gestos, dignos de pessoas apaixonadas, dignos da nossa verdade, logo vem a rapariga me dizer que não tem como não estarmos apaixonados! Porra, pera aí! Agente confunde de mais nossos sentimentos; eu só dei a ela o que daria a qualquer uma – menos para as altas, não gosto de mulher alta – a qualquer mulher que eu goste, ou seja, todas – é... acho que também não gosto das muito gordas... É quase um gostar de amigos, sabe? Só que amigos com sexo diferentes que as vezes se pegam. A diferença entre ter um amigo homem e uma amiga mulher é que um paga a cerveja e o outro o boquete. Quem disse que homens não têm amigas? Não digo dos gays, é claro... e aliás quero até morrer amigos deles, justamente por esse motivo... Amigos que conversam sobre tudo, que ficam muito doidos juntos, que trocam carícias por mais que não seja um pretexto para uma trepada, amigos que transam e dormem juntos. Isso não é estar apaixonado. Ou é? Talvez as pessoas devessem deixar mais claro quem elas realmente são; tanto sobre suas intenções, quanto sobre seus sentimentos. Aí sim seria mais fácil. Nenhuma mulher sofreria a toa por expectativas não correspondidas e nenhum homem precisaria mentir só pra comer mais uma. Quando é que as mulheres vão entender isso? Opa, disculpa.... digo... as poucas que ainda não entenderam?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

São Paulo, dia 12 de janeiro de 2009

Todos os sinais fechados.
Em uma escuridão de irrevogáveis esperanças,
vozes lacrimosas berram à felicidade.
Todos os sinais fechados.
Túmulos se abrem
sobre o céu longínquo
da Av. Paulista e almas perdidas entram dentro.
Todos os sinais fechados.
De fato nada mudou, a tradução do mundo
continua sendo a tristeza
A tristeza...
Todos os sinais fechados.
Todos por uma busca vã,
por uma crença de vidro,
por um amor inexistente.
Avenidas em X
marcam onde jaz meu corpo ermo;
vidas se arrastando pelos longos caminhos
de longas avenidas
e no entanto,
todos os sinais fechados.

domingo, 3 de junho de 2012

O amor

Eis um fato, meu caro Jack:
Estava eu na universidade...
- Universidade de cu é roala! Interrompeu-me Jack sem variar a expressão neutra de seus olhos rasos, com uma xícara de café prestes a tocar seus lábios.
Sim, sim. Estava eu em uma daquelas aulas, só mesmo por estar, quando derrepente surpreende-me pousando intimamente o braço sobre meu ombro um moleque, meu colega - veja bem que não é amigo. Se posso confiar na memória, diria que nos vimos duas ou três vezes cruzando, ambos apressadamente, os corredores da universidade.
- Universidade de cu é rola!
Sim, sim. Apoiou o braço gentilmente e confortavelmente e ficou a olhar alguma coisa que eu desempenhava que não me lembro bem... ou me lembro e não quero te dizer para não lhe dar motivo de zuar com minha cara.
- Já sei, você estava bolando um beck!
- Não, não.
- Uê? Você não estava na UnB?
Em fim. E aí o moleque ficou olhando, olhando, eu olhando para ele e ele com aquele sorriso que não estava na boca, mas que transbordava pelos olhos. Meio sem jeito e um pouco incomodado perguntei-lhe se lhe agradava o que eu estava a fazer. Disse prontamente que sim e chegou a fazer alguns comentários elogiosos, não a toa para me deixar mais confortável, a final estávamos muito próximos um do outro, sendo que não existia entre nossa relação de colegas nenhuma intimidade, mas, acredito, para contribuir com o que eu desempenhava.
 Em uma situação dessas, Jack, creio que a maioria das pessoas, as pessoas que não estão a receber a pressão do toque do amor, falariam por falar, sem realmente considerar o que eu estava a fazer; diferente desse moleque que além de ter me dado uns toques de como melhorar o meu trabalho elogiou o que não precisava melhorar.
- O moleque estava sobre a pressão do toque do amor?
Sim. E eu nem desconfiava. Fui saber muito depois quando a aula terminou e ficamos a conversar sobre a vida embaixo de um céu pobre e escuro. Insisto em dizer que o moleque era apenas meu colega, não amigo; apenas o vi algumas vezes nos corredores da Univer...
Jack já ageitava os lábios para dizer sua frase de rotina. Interrompendo a minha, não lhe dei chance para dize-la.
- Então o grande lance disso tudo é...? - Falou com certa impaciência esperando a resposta e soltando pelo nariz uma forte rajada de ar que eu pensava trazer impurezas já que era bastante ruidosa.
O grande lance, Jack, é que o amor transforma as pessoas! O grande lance é que o amor faz coisas com os apaixonados que nada poderia fazer igual.
- Nem a maconha?
Nada! O grande lance é que o amor evita guerras, evita o ódio, evita o demônio, cara! Era um moleque que eu nem conhecia... era daquele tipo de pessoas que só temos conhecimento pois em algum momento da vida, que refutamos gravar na memória, cumprimentamos de passagem nos corredores; e aí ele me vem apoiar o braço no meu ombro e puxar conversa? Poxa! O moleque devia estar muito feliz. Muito feliz para quebrar todas as frias formalidades, cruzar um espaço considerável para chegar a mim, aproximar de mim, e bem perto, apoiar o braço sobre meu ombro e ali ficar por muito tempo - tendo em vista que não tínhamos nenhuma intimidade, então foi muito tempo.
- É... a paixão é pra poucos... Admiro esse moleque. Se existem pessoas, como eu, que vivem em busca da  lombra eterna, outras, como esse moleque aí, já a encontraram. O amor é a maior das lombras. Estar apaixonado é a brisa mais forte já sentida.
Então! O foda é que o moleque insistiu na felicidade, a fez durar enquanto ainda havia dia, conversando comigo, só nós dois, ao final da aula.
- Embaixo de um céu pobre e escuro?
Sim! Ficamos conversando por muito tempo. Ele me falando de coisas que certamente eu não falaria a um colega cujas relações não passavam de escassos cumprimentos em corredores. Coisas de sua vida, coisas íntimas, sabe? E eu a ouvi-lo atentamente impressionando-me cada vez mais com sua sinceridade. Ele se empenhava em me contar as coisas, parecia empolgado demais por estar vivo; a felicidade não lhe cabia, era necessário dividi-la com as pessoas sortudas que o rodeavam e eu, por acaso, era uma delas.
Tudo se fez mais claro, Jack, quando ele recebeu uma ligação e de sua boca risonha e branca ouço "amor". Aí, então tudo fez sentido.
- Caralho..!
Pois é. Depois de um tempo um carro chega e ele diz que tem que ir. Ele se afasta e tenho a impressão de que está pulando de alegria, mas é só impressão mesmo.
- Você tinha fumado?
Não, pô. Ele chega perto do carro e dele desce um cara alto, magro, bem arrumado que lhe beija a boca.
- Ah! o moleque era gay!
Sim. Os dois entram no carro e vão embora tendo como trilha Give me all you luvin da Madonna.
- Pois é... como eu disse a paixão é pra poucos... Diria que atualmente só pros gays. O relacionamento hétero é uma coisa falida, sabia?. As mulheres já não aceitam simplesmente abrir suas bucetas permitindo a entrada de um pau, preferem que sejam acariciadas por uma língua, de preferência feminina.
Isso é porque você está andando muito com esse povo da UnB, Jack.
- Você acha?
Sim.
Embora esperasse que dissesse algo, Jack apenas deu aos olhos um caráter perdido e aproximou sua xícara  aos lábios.