quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
TEU BEIJO
TEU BEIJO DESDROI, MESMO QUANDO DELE MINHA BOCA SE PRIVA DE PROVÁ-LO. TEU BEIJO É SÓ, É MULTIDÃO SEM RUMO E VAZIA
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
No Rio de Janeiro, bem perto do sol...
Não se pode viver na espera. Não se deve viver da espera. Esta noite gostaria de rezar pelos corações atormentados. Aqui, bem perto do sol, onde as horas transmutam-se em liguentas salivas que parecem ser de algum gingante, e, portanto, posso tocá-las, há um quadrado dentro do qual se enquadra minha vida; tão denotadamente hermética e fria que não há restos de esperanças possíveis. Aqui onde os únicos sorrisos parecem provir dessas porras de murisocas assassinas que insistem em não morrer. Aqui, onde, apesar do sangue que jorra pontualmente à meia noite, parece ser o único lugar capaz de abrigar minha solidão que é rogada, que é bem vinda, que é amada.
É o que dá não ser olhado. Os olhos dos quais meu egoísmo sempre precisou. Parece restar uma liberdade extremamente vazia e lenta que por ser tão intensamente liberdade deixa de sê-lo; corrompendo o meu saudoso modo de sofrer e trazendo-me um novo, mais gostoso eu diria. Talvez há alguém naquela janela negra ali adiante, mas tudo aqui é tão morto e inóspito que parece não haver intenções que resistam - a não ser a minha que insiste em sobreviver, não sei por quê; mesmo quando os futuros passaram a não existir e o presente passou a ser nas terças e quartas, à noite apenas.
Ouvi dizer que havia bocas cintilando suas brancuras logo adiante, na praia, mas e daí? Me disseram pra ir até lá. Mas não vou. Não quero que esses mundos particulares sejam compartilhados com as vozes, que apenas ouço, e com os estalares de unhas na serâmica e muito menos com cheiros peludos e desagradáveis. Além do mais, não cogito criar uma esperança, porque já não me sobra tampo suficiente para viver nela.
Parece que estou conseguindo subsistir, em vão, é claro, mas estou. Até o dia da minha mais próxima morte. Aquela que tanto espero. Tá na hora de não esperar o que a mim possa vir, de não desejar melhoras. Apenas aguardar essa porra deste tempo e o que mais possa vir em sua espessa e liguenta baba. Carregar a cruz e ter fé. Eu tenho fé. E quando eu penso em minha profissão eu já não tenho mais tanto medo da vida.
É o que dá não ser olhado. Os olhos dos quais meu egoísmo sempre precisou. Parece restar uma liberdade extremamente vazia e lenta que por ser tão intensamente liberdade deixa de sê-lo; corrompendo o meu saudoso modo de sofrer e trazendo-me um novo, mais gostoso eu diria. Talvez há alguém naquela janela negra ali adiante, mas tudo aqui é tão morto e inóspito que parece não haver intenções que resistam - a não ser a minha que insiste em sobreviver, não sei por quê; mesmo quando os futuros passaram a não existir e o presente passou a ser nas terças e quartas, à noite apenas.
Ouvi dizer que havia bocas cintilando suas brancuras logo adiante, na praia, mas e daí? Me disseram pra ir até lá. Mas não vou. Não quero que esses mundos particulares sejam compartilhados com as vozes, que apenas ouço, e com os estalares de unhas na serâmica e muito menos com cheiros peludos e desagradáveis. Além do mais, não cogito criar uma esperança, porque já não me sobra tampo suficiente para viver nela.
Parece que estou conseguindo subsistir, em vão, é claro, mas estou. Até o dia da minha mais próxima morte. Aquela que tanto espero. Tá na hora de não esperar o que a mim possa vir, de não desejar melhoras. Apenas aguardar essa porra deste tempo e o que mais possa vir em sua espessa e liguenta baba. Carregar a cruz e ter fé. Eu tenho fé. E quando eu penso em minha profissão eu já não tenho mais tanto medo da vida.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O amor de Colombina (do Lago Sul) e Pierrot (da Ceilândia)


(Ponte JK. É noite. Carros passam silenciosamente erradiando poéticas luzes. As luzes das estrelas pontificam o negrume do céu e a Lua, que locupletaria qualquer olhar que a ela fosse dirigido, deixa um rastro espesso de luz no Lago Paranoá. Dois eternos amantes)
PIERROT - Então, eis-nos aqui.
Eu, angustiadamente, a esperar o que tua boca há de dizer.
Até parece que foi a espera disso que vivi
Sendo que depois, tranquilamente, posso morrer.
COLOMBINA - Confesso que fui cruel em te dizer
Que "iria pensar"
Quando transloucado de amor você me perguntou o que não imaginei acontecer.
Até parece que podemos perguntar
Para alguém se a podemos amar.
PIERROT - Pois foi isso que fiz, minha bela flor,
Quando os meus indignos olhos se encheram de tua beleza.
A partir de então fui acometido por uma prazerosa dor
Que seria certamente a do amor, disso eu tinha certeza.
Então nos meus sonhos vivia só pra te ter
Até que, enfim, a explosão de minha alma veio a perguntar
"Se acaso não posso me apaixonar por você."
COLOMBINA - Cabe a ti a decisão.
Por acaso não sabes o quão perigos é
Jogar-se em um desconhecido vão
Só por causa do amor de uma mulher?
PIERROT - O mair perigo era viver sem ter te encontrado
Talvez até menos do que se de minha pergunta disser não.
Não saberei qual será o meu fado
Se acaso se acabar esta paixão.
COLOMBINA - Pois digo-te, pobre rapaz apaixonado,
Que de minha resposta não deveria ter se preocupado,
Pois bem sabes que meu amor por ti está disfarçado
Já que não saberia se teria realmente me amado.
PIERROT - Amei-a logo quando a vi.
Confesso que minhas dores arrefeceram, foi o que senti.
Em teus olhos ficaram os meus e toda minha vida.
Em teus cabelos queria aspirar toda existência prometida
E no teu corpo achar toda felicidade já sentida.
Queria te tocar e ter a sensação eterna do teu calor,
Fazer do teu sorriso algo proveniente do meu amor,
Sentir no teu abraço o que geralmente não se pode sentir
E dos outros prazeres simplesmente desistir.
Porque já me basta você, entende?
COLOMBINA - A noite é testemunha de que não mentes.
Começo a crer em teu intento, apaixonadamente proclamado.
Me falas do teu amor tão docemente
Que desconfio que sejas meu príncipe encantado.
PIERROT - Somente sou aquele que o coração a ti doa,
Nada mais me é destinado.
E por todos os cantos minha voz ecoa
Que sou o teu pierrot apaixonado.
COLOMBINA - E eu, por consequência, ei de ser tua colombina,
Assim há de ser.
A não ser que você encontre outra menina,
Mas isso, com certeza não há de acontecer.
PIERROT - É claro que não, se me prometeres a eternidade.
Mas talvez esta não seja tão eterna
Já que por você, meu amor é uma infinidade.
Devo ainda dizer-lhe, minha bela de olhos sedutores,
Que meus lábios erradiam-se de amores
E que pelos teus desejam desesperado
A consumação de um beijo apaixonado.
COLOMBINA - A minha boca sempre foi tua,
Disso eu até já sabia.
Esperava apenas uma reação sua
Porque não mais esperaria.
(Se beijam ardilosamente, apaixonadamente, febrilmente. Os ventos se entrecruzam pelos corpos dos dois. As estrelas brilham intensamente. A Lua intensifica sua rajada de sentimentalidades no Lago Paranoá que, aliás, cessa por um momento seu estado de intransitório.)
PIERROT - Pronto! Eis que acaba minha vida.
Esse beijo era o que me bastava
Para renegar todas as coisas por mim adquiridas
Se acaso chegar a pensar que não me amava
Não mais terei motivo para que a vida seja prosseguida.
COLOMBINA - Agora o que nos cabe, meu amado
É viver este amor que nos foi destinado
E que do tempo possamos esperar
O que a vida há de nos encomendar.
PIERROT - Quero que saibas que tudo se completa,
Tudo tem significado.
O motivo da vida só se acerta
Quando eu tenho você do meu lado.
PIERROT - Então, eis-nos aqui.
Eu, angustiadamente, a esperar o que tua boca há de dizer.
Até parece que foi a espera disso que vivi
Sendo que depois, tranquilamente, posso morrer.
COLOMBINA - Confesso que fui cruel em te dizer
Que "iria pensar"
Quando transloucado de amor você me perguntou o que não imaginei acontecer.
Até parece que podemos perguntar
Para alguém se a podemos amar.
PIERROT - Pois foi isso que fiz, minha bela flor,
Quando os meus indignos olhos se encheram de tua beleza.
A partir de então fui acometido por uma prazerosa dor
Que seria certamente a do amor, disso eu tinha certeza.
Então nos meus sonhos vivia só pra te ter
Até que, enfim, a explosão de minha alma veio a perguntar
"Se acaso não posso me apaixonar por você."
COLOMBINA - Cabe a ti a decisão.
Por acaso não sabes o quão perigos é
Jogar-se em um desconhecido vão
Só por causa do amor de uma mulher?
PIERROT - O mair perigo era viver sem ter te encontrado
Talvez até menos do que se de minha pergunta disser não.
Não saberei qual será o meu fado
Se acaso se acabar esta paixão.
COLOMBINA - Pois digo-te, pobre rapaz apaixonado,
Que de minha resposta não deveria ter se preocupado,
Pois bem sabes que meu amor por ti está disfarçado
Já que não saberia se teria realmente me amado.
PIERROT - Amei-a logo quando a vi.
Confesso que minhas dores arrefeceram, foi o que senti.
Em teus olhos ficaram os meus e toda minha vida.
Em teus cabelos queria aspirar toda existência prometida
E no teu corpo achar toda felicidade já sentida.
Queria te tocar e ter a sensação eterna do teu calor,
Fazer do teu sorriso algo proveniente do meu amor,
Sentir no teu abraço o que geralmente não se pode sentir
E dos outros prazeres simplesmente desistir.
Porque já me basta você, entende?
COLOMBINA - A noite é testemunha de que não mentes.
Começo a crer em teu intento, apaixonadamente proclamado.
Me falas do teu amor tão docemente
Que desconfio que sejas meu príncipe encantado.
PIERROT - Somente sou aquele que o coração a ti doa,
Nada mais me é destinado.
E por todos os cantos minha voz ecoa
Que sou o teu pierrot apaixonado.
COLOMBINA - E eu, por consequência, ei de ser tua colombina,
Assim há de ser.
A não ser que você encontre outra menina,
Mas isso, com certeza não há de acontecer.
PIERROT - É claro que não, se me prometeres a eternidade.
Mas talvez esta não seja tão eterna
Já que por você, meu amor é uma infinidade.
Devo ainda dizer-lhe, minha bela de olhos sedutores,
Que meus lábios erradiam-se de amores
E que pelos teus desejam desesperado
A consumação de um beijo apaixonado.
COLOMBINA - A minha boca sempre foi tua,
Disso eu até já sabia.
Esperava apenas uma reação sua
Porque não mais esperaria.
(Se beijam ardilosamente, apaixonadamente, febrilmente. Os ventos se entrecruzam pelos corpos dos dois. As estrelas brilham intensamente. A Lua intensifica sua rajada de sentimentalidades no Lago Paranoá que, aliás, cessa por um momento seu estado de intransitório.)
PIERROT - Pronto! Eis que acaba minha vida.
Esse beijo era o que me bastava
Para renegar todas as coisas por mim adquiridas
Se acaso chegar a pensar que não me amava
Não mais terei motivo para que a vida seja prosseguida.
COLOMBINA - Agora o que nos cabe, meu amado
É viver este amor que nos foi destinado
E que do tempo possamos esperar
O que a vida há de nos encomendar.
PIERROT - Quero que saibas que tudo se completa,
Tudo tem significado.
O motivo da vida só se acerta
Quando eu tenho você do meu lado.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A incorporação do improviso ao texto

Tudo surge do improviso. O acaso e caos são coisas extremamente necessárias para a mantença da vida. Em teatro, o improviso é peremptório, primeiro porque a montagem de uma peça não seria possível sem o improviso, já que os ensaios são, por si só, uma forma de improvisar, como bem nos lembra Sandra Chacra em seu Natureza e sentido da improvisação teatral; depois, porque improvisar constata o organismo vivo que é o teatro. Mas chamo atenção, aqui, especificamente, para a irrefutável necessidade de modificar o texto, já previamente estabelecido, em prol da reação da platéia, que é o que se vê, mais comumente, nos processos de criação dos grupos de comédia.
Dentre os vários exemplos, há na peça Como passar em concurso público da Cia de comédia G7, do segundo elenco que se encontra em cartaz no Rio, uma cena em que os atores optam por quebrarem a estrutura, sair intencionalmente do jogo, expondo intimidades de um determinado ator para depois, como se constatassem o caráter ilusório e brincante do teatro, rapidamente retomarem o jogo e suas respectivas regras. Isso se deve graças ao medidor vivo e sensivelmente reativo de espetáculos, a platéia, a qual, em vista de tal "improviso", teve uma reação maravilhosamente boa para os intentos de tal peça.
Aos olhos do público tudo é um momento único que eles tiveram a oportunidade de presenciar. Mas para os atores é apenas mais uma forma que, assim como o texto, precisa ser renovada a cada dia e ser, sobretudo, extremamente verdadeira, pois corre o risco de não mais fazer o pretendido efeito, pois, afinal, o improviso é um ato único que acontece de acordo com determinadas circunstâncias únicas, sendo, portanto, irrepetível, parafraseando novamente Chacra.
O teatro não tem a intenção de ser literário. O texto, por si só, morre se não revisto pelo imprescindível ato de contemporaneidade. Incorporar improvisos ao texto é uma forma, dentre as várias, de mantê-lo vivo.
Porém, o improviso quando incorporado ao texto, entra, por sua vez, em um estado estático, sendo-lhe atribuído, portanto, a condição de vivente e como tal, morre. É por isso que a forma do teatro é uma não forma, nunca é uma forma acabada em si, é sempre um estado de movimento, de tempo presente, de "momento já".
O Teatro Esporte de Johnstone faz jus ao caráter vivo do fazer teatral e nos faz compreender que o verdadeiro processo de depreensão do teatro está longe de ser encontrado nos âmbitos literários, no pensamento literário; mas sim, unicamente e simplesmente, no teatral.
Dentre os vários exemplos, há na peça Como passar em concurso público da Cia de comédia G7, do segundo elenco que se encontra em cartaz no Rio, uma cena em que os atores optam por quebrarem a estrutura, sair intencionalmente do jogo, expondo intimidades de um determinado ator para depois, como se constatassem o caráter ilusório e brincante do teatro, rapidamente retomarem o jogo e suas respectivas regras. Isso se deve graças ao medidor vivo e sensivelmente reativo de espetáculos, a platéia, a qual, em vista de tal "improviso", teve uma reação maravilhosamente boa para os intentos de tal peça.
Aos olhos do público tudo é um momento único que eles tiveram a oportunidade de presenciar. Mas para os atores é apenas mais uma forma que, assim como o texto, precisa ser renovada a cada dia e ser, sobretudo, extremamente verdadeira, pois corre o risco de não mais fazer o pretendido efeito, pois, afinal, o improviso é um ato único que acontece de acordo com determinadas circunstâncias únicas, sendo, portanto, irrepetível, parafraseando novamente Chacra.
O teatro não tem a intenção de ser literário. O texto, por si só, morre se não revisto pelo imprescindível ato de contemporaneidade. Incorporar improvisos ao texto é uma forma, dentre as várias, de mantê-lo vivo.
Porém, o improviso quando incorporado ao texto, entra, por sua vez, em um estado estático, sendo-lhe atribuído, portanto, a condição de vivente e como tal, morre. É por isso que a forma do teatro é uma não forma, nunca é uma forma acabada em si, é sempre um estado de movimento, de tempo presente, de "momento já".
O Teatro Esporte de Johnstone faz jus ao caráter vivo do fazer teatral e nos faz compreender que o verdadeiro processo de depreensão do teatro está longe de ser encontrado nos âmbitos literários, no pensamento literário; mas sim, unicamente e simplesmente, no teatral.
domingo, 6 de dezembro de 2009
RUDÁ BIGOLIN
JORNAL DE BRASÍLIA: O que significa teatro pra você?
RUDÁ - Teatro pra mim significa uma sala com várias cadeiras, um palco onde tem uma curtina e refletores, coxias...
(entrevista do ator Rudá Bigolin sobre a cia de comédia BenditosMalditos)
RUDÁ - Teatro pra mim significa uma sala com várias cadeiras, um palco onde tem uma curtina e refletores, coxias...
(entrevista do ator Rudá Bigolin sobre a cia de comédia BenditosMalditos)
RICARDO PIPO DOS MELHORES DO MUNDO EM ENTREVISTA PARA TRABALHO ACADEMICO DE GRADUAÇÃO
"Acho que a comédia deve fazer rir. E só. Esse papo de humor inteligente ou besteirol é o apartheid da imprensa para defender determinados diretores e desdenhar de montagens pouco ortodoxas como as nossas. Vários críticos nem consideram teatro o que fazemos. Chamam de 'show de humor'. Na comédia existe a graça. Se não tem graça, não pode ser chamada assim. Só isso. Não vejo o humor como ferramenta para fazer pensar. É ferramenta para fazer gargalhar. Você não acha graça em alguém caminhando. Acha graça em alguém caindo. E isso não tem nada de construtivo e não precisa ter. O humor exige conflito, erro. É por isso que os Estados Unidos tem tantos humoristas bons. Por ser a nação mais confituosa que existe. Você já viu algum bom homorista sueco, dinamarquês ou austríaco? Bem... Certamente deve existir, mas não são os mais engraçados."
(Entrevista concedia em março de 2008 para a monografia "Evoluções da comédia: de Aristófanes e Menandro a G7 e Os Melhores do Mundo)
(Entrevista concedia em março de 2008 para a monografia "Evoluções da comédia: de Aristófanes e Menandro a G7 e Os Melhores do Mundo)
O TEATRO
O teatro é, por si só, uma vida paralela que existe e se desenvolve a cada realização compreendida dentro dos âmbitos do fazer teatral; existência esta que seria completamente autônoma se não fosse a precisão que o teatro tem de estar necessariamente concernente com o outro paralelo, com a contemporaneidade, com a vida que é extremamente fugaz, com a vida que se vai a cada segundo, daí a peculiar e tão extraordinária e humilde forma de o ato teatral existir somente em um único momento.
O teatro tem a vociferante precisão de ser a cada instante algo do que ainda não foi, de ser a cada instante um momento único e irreprodutível do qual se vive a vida de que desse momento possa viver, do qual se vive a extrema intensidade do outro paralelo, transmutando em metáforas, ideologias e alegorias. Dessa forma, existe uma oportunidade única de se viver, tanto para atores quanto público, utopicamente no momento, que assim como a vida, é extremamente fugaz; viver o que não se poderia no outro plaralelo vazio e friamente denotado. O teatro tem por necessidade, não só de proporcionar os aprazíveis instantes catárticos, não só ser, às vezes, um mero entretenimento comumento equiparado a uma opção qualquer de diversão, não só ser, por vezes, dialético e gerando por consequencia uma reflexão, não, mas ser avidamente vivo, tendo em sua estrutura todos os elementos, contemporâneos é claro, que o torne necessário para o hoje, para o agora; transmitir-se através de uma linguagem que seja intimamente próxima dos seus receptores.
Portanto, certamente não seria insensto darmos merecidos créditos para as apreciáveis e comunicativas obras populares e improvisacionais de Dário Fo, para o caráter imaginativo e sempre em metamorfose do teatro de Peter Brook, para a dialética que nos faz pensr a realidade da época do teatro épico de Brecht, da comédia besteirol aberta, saudável e extremamente próxima de seus públicos das companhias brasilienses Melhores do Mundo, G7, De 4 Naipes, Setebelos e Anonimos da Silva, para as grandes iniciativas que incorporaram ao teatro do sec. XX possibilidades até então inexistentes no cenário teatral brasileiro como fez o TBC, o Teatro de Arene de Zé Regino e Guarniere e tantos outros grupos, os quais primaram por um diálogo efetivo entre o momento presente e o público, não importando a maneria pela qual cada um utilizou para atingir seus objetivos.
O teatro deve estar em constante movimento, justamente pelo fato de que não se pode reter o momento presente. A cada século, a cada ano, a cada dia, a cada hora, tem-se sempre um novo momento do qual nunca se teve; tem-se sempre um espetáculo, uma apresentação, tem-se sempre um novo teatro. Portanto, sejamos metamorfos. Estejamos sempre em movimento, depreendendo técnicas acadêmicas e populares, experimentando coisas que não irão dar em nada, arriscando-se intemerosamente entre as possibilidades de plátéias vazias e lotadas, sendo o máximo que se pode ser. Tendo disciplina ou criando a mercê dos impulsos, não se preocupando com as certezas, com as formas predeterminadas, porque, definitivamente, não há receitas prontas, ou como diz Peter Book:
"A disciplina, em si, pode ser tanto negativa como positiva. Pode fechar todas as portas, negar a liberdade ou, no extremo oposto, constituir o rigor indispensável para emergir do lamaçal de 'qualquer coisa'. Por isso é que não há receitas prontas. Permanecer muito tempo no superficial logo se torna banal. Permanecer muito tempo nas alturas pode ser intolerável. Temos que estar em movimento o tempo todo". (BROOK. A porta aberta. 5 ed. Rio de Janeiro, 2008, p. 52)
O teatro tem a vociferante precisão de ser a cada instante algo do que ainda não foi, de ser a cada instante um momento único e irreprodutível do qual se vive a vida de que desse momento possa viver, do qual se vive a extrema intensidade do outro paralelo, transmutando em metáforas, ideologias e alegorias. Dessa forma, existe uma oportunidade única de se viver, tanto para atores quanto público, utopicamente no momento, que assim como a vida, é extremamente fugaz; viver o que não se poderia no outro plaralelo vazio e friamente denotado. O teatro tem por necessidade, não só de proporcionar os aprazíveis instantes catárticos, não só ser, às vezes, um mero entretenimento comumento equiparado a uma opção qualquer de diversão, não só ser, por vezes, dialético e gerando por consequencia uma reflexão, não, mas ser avidamente vivo, tendo em sua estrutura todos os elementos, contemporâneos é claro, que o torne necessário para o hoje, para o agora; transmitir-se através de uma linguagem que seja intimamente próxima dos seus receptores.
Portanto, certamente não seria insensto darmos merecidos créditos para as apreciáveis e comunicativas obras populares e improvisacionais de Dário Fo, para o caráter imaginativo e sempre em metamorfose do teatro de Peter Brook, para a dialética que nos faz pensr a realidade da época do teatro épico de Brecht, da comédia besteirol aberta, saudável e extremamente próxima de seus públicos das companhias brasilienses Melhores do Mundo, G7, De 4 Naipes, Setebelos e Anonimos da Silva, para as grandes iniciativas que incorporaram ao teatro do sec. XX possibilidades até então inexistentes no cenário teatral brasileiro como fez o TBC, o Teatro de Arene de Zé Regino e Guarniere e tantos outros grupos, os quais primaram por um diálogo efetivo entre o momento presente e o público, não importando a maneria pela qual cada um utilizou para atingir seus objetivos.
O teatro deve estar em constante movimento, justamente pelo fato de que não se pode reter o momento presente. A cada século, a cada ano, a cada dia, a cada hora, tem-se sempre um novo momento do qual nunca se teve; tem-se sempre um espetáculo, uma apresentação, tem-se sempre um novo teatro. Portanto, sejamos metamorfos. Estejamos sempre em movimento, depreendendo técnicas acadêmicas e populares, experimentando coisas que não irão dar em nada, arriscando-se intemerosamente entre as possibilidades de plátéias vazias e lotadas, sendo o máximo que se pode ser. Tendo disciplina ou criando a mercê dos impulsos, não se preocupando com as certezas, com as formas predeterminadas, porque, definitivamente, não há receitas prontas, ou como diz Peter Book:
"A disciplina, em si, pode ser tanto negativa como positiva. Pode fechar todas as portas, negar a liberdade ou, no extremo oposto, constituir o rigor indispensável para emergir do lamaçal de 'qualquer coisa'. Por isso é que não há receitas prontas. Permanecer muito tempo no superficial logo se torna banal. Permanecer muito tempo nas alturas pode ser intolerável. Temos que estar em movimento o tempo todo". (BROOK. A porta aberta. 5 ed. Rio de Janeiro, 2008, p. 52)
sábado, 5 de dezembro de 2009
SABE?
Sabe aquelas dores?
Aquelas que insistem em persistir
Mesmo nos momentos impróprios de suas doces existêcias?
Sabe aquelas lágrimas?
Aquelas que rotineiramente percorrem os mesmos trajetos na face.
Aquelas cujos destinos se desconhece e as origens são maçantes, pujentes, perenes,
Sabe?
Sabe aquela vida?
Aquela vida que se vai
Aquela vida que se foi
E que por pura conciência, ou não,
Deixamos que ela fosse sem impecílhos ou intentos significativamente grandes que impedisse o seu percusso natural de se ir?
Sabe?
Sabe o nada?
Sabe o vazio?
Sabe o estado quase permanente do peito que por mais óbvio que nos possa parecer é tão indeterminado e dolorido?
Que por mais amórfico e imponderável é o que mais nos toma e o que mais nos pesa e, que ainda sendo o vazio, compõe-se quase que completamente daquilo que somos feitos?
Sabe as rosas?
Aquelas coisas que consideramos insignificantes e que um dia, por pura perca de tempo e falta de vida verdadeiramente importante e científica, foi simbolo do meu amor?
Sabe aquele sonho?
Aquelas coisas tão futilmente desejadas?
Sabe aquela boca? Aquele beijo? Sabe?
Sabe isso tudo?
Pois é...
Tudo tão unicamente dores, lágrimas, vida, nada, rosas, sonhos e beijos.
Aquelas que insistem em persistir
Mesmo nos momentos impróprios de suas doces existêcias?
Sabe aquelas lágrimas?
Aquelas que rotineiramente percorrem os mesmos trajetos na face.
Aquelas cujos destinos se desconhece e as origens são maçantes, pujentes, perenes,
Sabe?
Sabe aquela vida?
Aquela vida que se vai
Aquela vida que se foi
E que por pura conciência, ou não,
Deixamos que ela fosse sem impecílhos ou intentos significativamente grandes que impedisse o seu percusso natural de se ir?
Sabe?
Sabe o nada?
Sabe o vazio?
Sabe o estado quase permanente do peito que por mais óbvio que nos possa parecer é tão indeterminado e dolorido?
Que por mais amórfico e imponderável é o que mais nos toma e o que mais nos pesa e, que ainda sendo o vazio, compõe-se quase que completamente daquilo que somos feitos?
Sabe as rosas?
Aquelas coisas que consideramos insignificantes e que um dia, por pura perca de tempo e falta de vida verdadeiramente importante e científica, foi simbolo do meu amor?
Sabe aquele sonho?
Aquelas coisas tão futilmente desejadas?
Sabe aquela boca? Aquele beijo? Sabe?
Sabe isso tudo?
Pois é...
Tudo tão unicamente dores, lágrimas, vida, nada, rosas, sonhos e beijos.
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