quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

eu não me aguento ser
você não suporta ser você
o que ambos buscamos ao fuder
é, de fato, a transcendência do ser
quem da poesia
se apropria
sabia
que a vida é vazia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Azafamado de Pusilanimidade
De Solipsismo de Estoicismo
De misantropismo de Deserção
Enquanto inventa-se o amor
Eu, a solidão.

whatsapp

Enquanto isso, no Juizado de Pequenas Causas,
alguém,
quase ninguém,
requer,
sendo um qualquer,
o direito de não ter whatsapp.
Alegando que o qualquer
não tem direito sobre o que quer
e que o mundo corre, mesmo que de marcha ré,
o Juiz negou.

obra Teatral

A expectativa da boa perspectiva fica meio que na deriva,
se for ver.
O contento do acontecimento só acontece no exato momento,
se se ater.
Do contrário é tormento, é pensamento
a se perecer.
Do contrário a ação não é eficaz, é vazia.
...É quase como uma obra teatral,
cada dia é cada dia
a se refazer.
Do contrário é dramaturgia,
se te apetecer.

o teatro e o dono da venda

Moleque cansado feliz, diz ter visto o que jamais na escola vira, De uns home barbado amostrado fazendo gaiatice prus outro rir. Teatro. Tea o que menino?! – A mãe pinicando o de comer. Teatro. E sabe o que o moço personagem lá do teatro disse pro povo rir uma hora? Que o braço dele era bruto, duro igual o pão de queijo do Seu Heleno. Parou de pinicar o de comer com o furor exclamativo, a mãe. Disse o quê, menino?? É disse que era duro igual o pão de queijo que meu pai vende. E todo mundo morrendo de mostrar os dentes. Todo mundo, menino?, a mãe. Generalizado, o moleque! Ai teve ela o recolhimento ensimesmado, Desgraça de Heleno! E eu morrendo de avisar o desgraçado que a desgraça da receita não era aquela, desgraça! Todo mundo riu, menino? contido os mestre também? Também! Generalizado! Aí teve ela outra vez no recolhimento encabulado, a mãe. Mas que desgraça de Teatre é esse! A desgraça do moço personagem também vai cismar de falar de tal maneira! Pra todo mundo saber e ainda rir do que souberam! Desgraça! Oi, menino – a mãe, no exílio do seu encabulamento – você trate de num ver esses negócio de teatre não, viu? Isso aí é besteira.

os ratos somos nóses

Perdendo o seu habitat natural,
sem espaço, sem apoio governamental,
fogem os ratos para Estrutural,
Ceilândia, Pedregal
para fazer arte
para fazer ritual.
Pois carecem de roer
e precisam continuar.
Não deixarão a cena teatral escafeder
e nem soçobrar.
toda sensação ruim
é um poema preso no rim
exclusividade
em toda amorosidade

maldade

bondade
é a promiscuidade
veja
também bebe-se
cerveja
na terça
não se esqueça
não se decepcione
abandone

forever alone
com brandura
murmura
fissura
meu sexo prurido
que te lembra intumescido
largos
laços
de abraço
pelos pêlos
parcos
do arregaço