Ao fim de tudo,
se ausculta ao longe
o desmantelo da concupiscente humanidade
o arrefecimento gradual da rotineira maldade
a dissolução
intrínseca de nossa artificialidade.
E toda significância impregnada de sentido
que, na rotineira existência, antes, não havido,
será inerente ao nosso hábito adquirido
de reciprocamente amar,
ao fim de tudo.
A lógica cômoda dos acontecimentos rudes
que prioriza o ego e aos justos aturde
sistematizando a vida amiúde,
ao fim de tudo,
será de todo ultrapassada.
Ao fim de tudo
os mandantes do mundo padecerão
de efusiva calmaria interior
e florescerão límpidas empatias de flor
e de perdão
na profundeza murcha do coração.
Ao fim de tudo,
o reaprendizado da consciência
despojada de aparência
e excessos;
vibraremos na inocência
da ontológica clemência,
perplexos.
