domingo, 19 de julho de 2020

poema para o fim da quarentena


Ao fim de tudo,
se ausculta ao longe
o desmantelo da concupiscente humanidade
o arrefecimento gradual da rotineira maldade
 a dissolução intrínseca de nossa artificialidade.

E toda significância impregnada de sentido
que, na rotineira existência, antes, não havido,
será inerente ao nosso hábito adquirido
de reciprocamente amar,
ao fim de tudo.

A lógica cômoda dos acontecimentos rudes
que prioriza o ego e aos justos aturde
sistematizando a vida amiúde,
ao fim de tudo,
será de todo ultrapassada.

Ao fim de tudo
os mandantes do mundo padecerão
de efusiva calmaria interior
e florescerão límpidas empatias de flor
e de perdão
na profundeza murcha do coração.

Ao fim de tudo,
o reaprendizado da consciência
despojada de aparência
e excessos;
vibraremos na inocência
da ontológica clemência,
perplexos.

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