domingo, 15 de junho de 2014
Seios de araçá
curvas
desnudas
cujas
cores
rubras
em noites
surdas
às minhas mãos dão afetuosa morada
a vida lhe é fugaz
cheia de candura
dança mais
espalha sua alvura
Dor e Dor
Dor e dor
A dor e à dor
Da dor,
O aliciador,
O acariciador da dor
Sonhar a dor
Sem ter dor,
O ator
Adorar a dor
Sem ter amor,
O sonhador
Adormecer na dor
Se a dor
Não se for,
O trabalhador
Viver de dor
Sendo o que for,
Libertador!
Olhos de indigente
Nas janelas dos carros engarrafados. Nos gestos, nas ruas, engomados. Uns olhos refletidos tidos como esquecidos. Cingidos com a mácula da indiferença. Um vazio completo. Um alheamento seleto. O que será que lhes pode ser dito, neste mito, que os leve à excitação,à exaltação, à consumação do infinito? Nenhuma notícia portentosa... Nenhuma declaração amorosa... Parecem leves na maneira de ser. Umidificam-se sem o peso de se conhecer(em). Apoia-os o esquecimento, porque não cobiçam o desejo. Amparam-os o repouso, porque não se tentam à vida.
Se quando se ama se pensa, não se ama.
O coração se pudesse pensar pararia
O cérebro se pudesse amar atrofiaria
A criança se pudesse pensar cresceria
O burocrata se pudesse amar se aposentaria
A fé se pudesse pensar se extinguiria
O ímpeto se pudesse pensar esmaeceria
O professor se pudesse amar ensinaria
O homem se pudesse amar seria.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
ESCASSEZ
Escassisudo,
o casmurro sem urro
e embriaguez;
escasseado de tudo.
De paludo.
De sortudo.
De sisudo.
Dos amores tudo.
De esperanças a que aludo.
De tudo.
Escasseado,
o esgotado,
o que tem existido
sem ter sentido.
De vontades, minguado.
De alegrias, rareado.
De ter sabido, soube-se
ensandecido.
De ter amado,
desgraçado.
Escasso
é o aço
de que me faço,
mero palhaço...
o casmurro sem urro
e embriaguez;
escasseado de tudo.
De paludo.
De sortudo.
De sisudo.
Dos amores tudo.
De esperanças a que aludo.
De tudo.
Escasseado,
o esgotado,
o que tem existido
sem ter sentido.
De vontades, minguado.
De alegrias, rareado.
De ter sabido, soube-se
ensandecido.
De ter amado,
desgraçado.
Escasso
é o aço
de que me faço,
mero palhaço...
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Sociedade dos Comuns
Estar na sociedade dos comuns sendo não mais que um comum. Assim mesmo, sem originalidade, discrepâncias e nada além da intenção de, nos finais de semana, passear no shopping e tomar cerveja ao som comum de Jorge e Mateus.
Pra que as haver, as diferenças? Sendo os dias, para os comuns, reduzidos sinteticamente aos fins de ostentação e aparências.
O que pensar de uma sociedade não pensante que fabricam jovens frequentadores de bibliotecas cujos olhos só tem olhos para sintéticas apostilas de concursos públicos? Literatura já não há. A poesia já não há.
Os comuns se deixam morrer sem o abranger de suas mentes, abraços e sorrisos.
Os comuns sobrevivem com o imenso peso das lágrimas sobre os olhos, retendo o tempo das suas oportunidades em afazeres que nem lhes agradam; ou nunca tendo coragem de partir.
Os comuns simplesmente observam o arrefecer de suas ralas felicidades em quilômetros estáticos e sintéticos de buzinas, luzes de freio e cheiro de gasolina cara.
Não há porquê as haver, as diferenças. Todas já tem a quem copiar, o que desejar. Os padrões já foram estabelecidos, gessificados, santificados.
Os comuns são proibidos de serem o que são. E se contentam em existirem como são somente nos finais de ano, juntamente com outros comuns e em rituais comuns que se repetem comumente por séculos comuns. E parecem necessitar que a puerilidade do instantes se torne eterna, ou pública, através de registros visuais.
Os comuns parecem não dar atenção ao silêncio, parecem não olhar para a noite.
Os comuns parecem cobiçar sempre a mesma mulher comum e se besuntarem sempre da mesma fragrância
Parecem conhecer somente as mesmas coisas e sonharem, comumente, com a mesma riqueza.
O que esperam, desejam, os comuns, sendo o mundo já comumente estabelecido?
Pra que as haver, as diferenças? Sendo os dias, para os comuns, reduzidos sinteticamente aos fins de ostentação e aparências.
O que pensar de uma sociedade não pensante que fabricam jovens frequentadores de bibliotecas cujos olhos só tem olhos para sintéticas apostilas de concursos públicos? Literatura já não há. A poesia já não há.
Os comuns se deixam morrer sem o abranger de suas mentes, abraços e sorrisos.
Os comuns sobrevivem com o imenso peso das lágrimas sobre os olhos, retendo o tempo das suas oportunidades em afazeres que nem lhes agradam; ou nunca tendo coragem de partir.
Os comuns simplesmente observam o arrefecer de suas ralas felicidades em quilômetros estáticos e sintéticos de buzinas, luzes de freio e cheiro de gasolina cara.
Não há porquê as haver, as diferenças. Todas já tem a quem copiar, o que desejar. Os padrões já foram estabelecidos, gessificados, santificados.
Os comuns são proibidos de serem o que são. E se contentam em existirem como são somente nos finais de ano, juntamente com outros comuns e em rituais comuns que se repetem comumente por séculos comuns. E parecem necessitar que a puerilidade do instantes se torne eterna, ou pública, através de registros visuais.
Os comuns parecem não dar atenção ao silêncio, parecem não olhar para a noite.
Os comuns parecem cobiçar sempre a mesma mulher comum e se besuntarem sempre da mesma fragrância
Parecem conhecer somente as mesmas coisas e sonharem, comumente, com a mesma riqueza.
O que esperam, desejam, os comuns, sendo o mundo já comumente estabelecido?
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