domingo, 15 de junho de 2014
Olhos de indigente
Nas janelas dos carros engarrafados. Nos gestos, nas ruas, engomados. Uns olhos refletidos tidos como esquecidos. Cingidos com a mácula da indiferença. Um vazio completo. Um alheamento seleto. O que será que lhes pode ser dito, neste mito, que os leve à excitação,à exaltação, à consumação do infinito? Nenhuma notícia portentosa... Nenhuma declaração amorosa... Parecem leves na maneira de ser. Umidificam-se sem o peso de se conhecer(em). Apoia-os o esquecimento, porque não cobiçam o desejo. Amparam-os o repouso, porque não se tentam à vida.
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