domingo, 21 de outubro de 2012

Nestes exatos segundos de perca, de não se saber o que será feito, de silêncio e astaticidade, tinha algumas coisas para dizer. Não se incomode, eram coisas absurdas de mais para serem escutadas. Assim como a minha vida. Disse, hoje ainda, que o motivo despropositado do meu silêncio era o cansaço. O cansaço de viver, de se manter vivo, de sobreviver quando a vontade preponderante é a de fazer exatamente o contrário. A morte? Por aqui as coisas continuam; nem se cessar elas se cessam, elas apenas continuam, como se fosse essa a única opção. Por aqui se aloja uma tristeza milenar, imutável, densa e triste. Deveria bastar para os peitos solitários; e de fato basta. Já não sei o que digo... Assim como a vida esta escrita despropositada me é totalmente insignificante e triste. Não por tratar de um tema que poderá ser triste, mas pela literatura totalmente ruim – triste! Carregava, como quem carrega pequenas pedras que estalam com o balanço galhofeiro da mão, algumas lembranças sobre as quais depositava certa felicidade. Agora já não carrego, pois são vãs de mais e seus pesos e volumes não compensam ser trazidos por mim, nem por ninguém. Porque se de fato há uma caminhada infindável, essas tolas lembranças felizes só ocuparão espaço onde já há um vazio. Por aqui as tristezas se acumulam pelos cantos, outrora doía bastante vê-las jogadas, acumulando maldizeres e provocando lágrimas a quem quer que as olhassem. Agora o foda-se meio que tomou conta de tudo e nada mais parece ser de fato importante. Nem mesmo aquelas poucas e ralas lembranças que insisti em trazer nas mãos só para lhes ouvir os estalos. Por aqui se aloja um silêncio muito grande; e nos parece que não há mais vozes para preenchê-lo. Por aqui se insiste em petrificar os sorrisos passageiros e perdurar as dores que não são eternas, apenas desejáveis. Já não sei o que quero, a que busco... Entrei na fila lenta esperando, talvez, alguma garantia de futuro. Porra! Não poderia esperar por mais nada? O futuro? Todas as pessoas sofrem demasiadamente, meu caro. Por que eu não haveria? E você? Sejamos silenciosos e tristes. Assim vivemos no sossego que a falta de felicidade proporciona. Não? A espera... Já não sei o que digo.

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