quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Em uma noite de chuva
Ela parece ter os olhos umedecidos, assim bem de leve. Penso que talvez possa ter sido lagrimas, mas logo deixo de pensar para mirar sua boca entreaberta. Ela termina de tomar banho e pergunta se eu tambem nao quero, digo que nao tirando a camisinha. Ficamos ali no seu sofa improvisado de sua cozinha dilatando nossos silencios e bebendo suco de uva. De certa forma eu a conduzo para que me ame - acho que inconscientemente - falando baixo e cheio de manhas. Ela se mantem extremamente simples, sem me olhar tanto nos olhos - acho que gostei disso. Talvez eu tenha lhe dito varias vezes que o seu beijo eh bom, acho que ela achou estranho. Gostava de como seus cabelos crespos intervinham na dire;ao do seu olhar, as vezes fazia questão de tirá-los em um gesto forçosamente poético. Nao sei bem, mas talvez a poesia só tenha existido nos nossos corpos nus. Ela diz com um sorriso que eu durma com ela/ digo que nao posso, que tenho de acordar cedo amanha e vou embora - certamente ela percebeu a mentira. A chuva se intensifica e eu subo o eixao com os cabelos molhados.
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