segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Encontro com Carol, depois de tudo...

Ela diz estar em Brasília. Combinamos nos ver. Sugiro o Frans Café da 208. Ela me corrige dizendo que é 209. Ela chega e nos abraçamos, meio rápido de mais para a ocasião, e sorri empenhadamente como sempre tem feito todos esses anos. Eu agradeço a ela pela sua presença e ressalto a honra de tê-la... sobre os meus olhos - acho que quis ser simpático. Ela sorri afastando o cabelo da face e me mostra seus olhos cheios de lembrança. As palavras vão pulando, aos poucos, de seus lábios umedecidos e o passado me vem derrepente. Derrepente as lembranças se tornam claras de mais, cheias de gosto e cheiro. Derrepente estávamos alí. Derrepente o pai dela liga. Às vezes me perdia em suas frases, imaginando o que dizer logo em seguida ou por observá-la mais atentamente tentando entender suas mudanças. Ela tem sonhos firmes de mais para sua idade - talvez eu comecei a compreender o porquê disso. Eu queria tê-la mais vezes ao meu lado, ouvido seus anseios e cumprindo suas vontades - talvez como forma de conseguir perdão. Mas nossos sorrisos espontâneos me mostraram que isso não era mais necessário. Talvez eu devesse desrespeitar todo esse papo de tempo e dizer a ela do amor que existe acima dos apaixonados, mas não sou tão foda assim e penso que o tempo dirá melhor. Eu digo a ela não me esquecer e lhe dou uma manga, que achei na rua. Ela sorri e agradece daquele jeito sem graça totalmente peculiar. Eu preencho minhas mãos com suas faces e tento repetir passados nostálgicos - acho que ela se assustou. Nos abraçamos pela última vez e sinto seu corpo se acomodar no meu - como bons amigos que ganham a confiança um do outro. Ela se vai e derrepente não tenho mais medo de dizer que a amo. Ela se vai, meio rápido de mais para a ocasião, e nossas imagens vão ficando amareladas, como fotos antigas pregadas na parede.

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